O Mundo Separado das Periferias

São chamados de periferia... Regiões imensas que abrigam uma massa enorme de pessoas de baixa renda.A maioria dos executivos e estrategistas das grandes multinacionais que atuam nos países em desenvolvimento tende a focar suas ações de marketing nas classes de maior poder aquisitivo. Eles presumem que os mais pobres não têm dinheiro para gastos com bens e serviços de melhor qualidade, principalmente, daqueles que vão além das necessidades básicas da alimentação, saúde e habitação...Geralmente, a periferia é vista pelas pessoas como um bloco único, um problema único ou uma condição única de existência. Mas a aproximação ao tema faz ver que, apesar de traços comuns, cada periferia tem sua especificidade e, dependendo do enfoque, ela pode ser um conceito relativo.  
Periferia e Cultura!
Essas duas palavras tão faladas recentemente têm sido pautas constantes de discussões académicas.  “Cultura é tudo aquilo que é resultado da vida social, da aprendizagem, tudo aquilo que você adquire da sociedade é cultura”, “A grande maioria das favelas está na zona sul, na zona leste, mas estão na periferia do ponto de vista social”,“A periferia não pode ser caracterizada pelas ausências, ela é sempre lembrada pelo que não tem. Cada vez mais devemos olhar a periferia pelo  parâmetro da presença! “A periferia não se caracteriza mais como um local visto pela ausência da cultura, mas como um espaço que constitui a cidade sob outra perspectiva”,“Outra forma possível de perceber-se a periferia passa pelo reconhecimento de que os seus habitantes desenvolvem formas ativas e contrastantes para enfrentarem suas dificuldades do dia-a-dia, de acordo com suas trajetórias pessoais e coletivas, as características socioculturais e geográficas do seu território e a postura assumida pelas suas lideranças e pelas instituições locais, dentre outras variáveis. Naturalmente, a superação dos evidentes limites presentes nas condições de vida dos habitantes da periferia é uma necessidade, a ser encarada pelos poderes públicos e pelos setores sociais identificados com a democracia e a justiça social. Ela passa, porém, pela quebra da hegemonia das referências sociocêntricas, pela criação de mecanismos de diagnóstico e definição de ações que levem em conta os saberes construídos pelos moradores, em sua longa e intensa caminhada por uma vida mais plena”.
                As "lan houses de garagem"
Com ventilação natural, que conectam quase metade dos usuários de computador do país!As grandes periferias brasileiras já se digitalizaram.
Tudo aconteceu na marra, aos trancos e barrancos, mas hoje é realidade inegável. É difícil encontrar um lugar urbano no país inteiro, mesmo os mais pobres, que não tenha sua lan-house. E mais: onde a lan-house local não tenha se transformado numa nova espécie de praça, uma mistura de ponto de encontro de divertimento social com escritório público e centro de comunicações e também de produção/divulgação artística. Mesmo onde já há presença de computadores em casa – coisa que para surpresa de muitos é cada vez mais comum até mesmo em favelas – as lan-houses continuam a atrair uma animadíssima clientela, virando um dos maiores símbolos da nova cultura ciberpopula.

Dono de um mercadinho na favela de Heliópolis, o comerciante Antônio Rodrigues Filho jura que não sabe ligar um computador. Mesmo assim, ele montou na parte de cima do mercado uma lan house que começou com seis máquinas e agora tem dezesseis. Diz que o sócio é quem "mexe com elas". "Sou analfabeto, não tenho curiosidade nem paciência para fazer isso, não."

  
Na cidade de Deus(zona oeste)do Rio já tem o serviço de conexão Wi Fi de graça!
Não é raro encontrar um morador do asfalto carioca que nunca tenha ido a uma favela, embora todo mundo passe por uma no dia a dia e elas sejam mais de mil na cidade. Mas já dá para cantar ao contrário aquela música de Pepeu Gomes e Moraes Moreira: Lá vem o Brasil subindo a ladeira! 

Tony Barros, que se apresenta como correspondente comunitário do Viva Favela, conta que já perdeu a conta do número de pessoas que acompanhou à comunidade. Em julho, um grupo de cinco estudantes estrangeiros, que fazem mestrado na New School University, em Nova York, sobre mídia e direitos humanos, visitou a favela.
No comércio da periferia é possível encontrar de tudo e há camelôs e lojinhas que vendem todo tipo de bugiganga num único espaço!
Há três anos, a cabeleireira Raimunda Bandeira de Carvalho decidiu abrir uma lan house no andar de baixo do seu salão. No começo, seus filhos e marido não gostaram da ideia, mas hoje a acham ótima. O faturamento do salão dobrou com a instalação dos computadores. Raimunda diz que as clientes gostam de usar a rede enquanto esperam a tintura fazer efeito. Neste ano, ela quer crescer ainda mais: em breve, no mesmo espaço vai vender suco e cachorro-quente.

Maria Rosália Freitas Farias mora com a filha Lorrane, de 11 meses, em um barraco junto com a ex-madrasta, mas não pensa em sair de Paraisópolis
 Boa parte dos moradores da Periferia são também do Nordeste do Brasil e muitos voltam a passeio e as passagens podem ser compradas na própria Periferia...
As igrejas evangélicas encontram nas periferias um terreno fértil para seu crescimento
Ao lado dos bares, os templos são os primeiros estabelecimentos que costumam surgir na periferia...O número de evangélicos no subúrbio é três vezes maior que o registrado nos centros das cidades.A igreja de maior penetração é a Assembleia de Deus

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