Caetano: "Não sou branco... Nem homem"


 Quando o show " Noites do Norte " abriu em São Paulo , em 2001. Caetano deu uma entrevista a Folha de S Paulo. Respondendo a seguinte pergunta;
Você é orientado pela culpa por ser branco e homem ?
Caetano - 
Não sou branco. Nem sou homem. 

A questão racial é crucial para mim. O movimento negro, sob influência dos americanos, trouxe muitas coisas boas, mas também têm ameaçado muitos tesouros nossos. Essa sensação espontânea de que não se tem que pensar as pessoas como divididas racialmente é um tesouro, é algo divino, que o Brasil tem como experiência e deve ser reencontrado.

Esse tipo de afirmação vinda de Caetano ja não e nenhuma novidade, ja que o mesmo perguntou e continua ainda hoje perguntando se ele è neguinha !
E com toda essa inspiração que Caetano abordou a temática das relações “raciais” Brasileira em seu disco Noites do Norte, Caetano aponta para a importância de entender os sentidos políticos do disco, desviando o assunto dele mesmo.
O disco Noites do Norte parece um dueto de hoje com o passado , esse dueto não e simples , pois a diferença entre um e outro Brasileiro não e so geracional, mais posição social e papel histórico, enquanto teme o comum assumir sua autoridade de homem publico…
O Titulo do álbum foi extraído de um trecho de Minha Formação , de Joaquim Nabuco.
"A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil. Ela espalhou por nossas vastas solidões uma grande suavidade; seu contato foi a primeira forma que recebeu a natureza virgem do país, e foi a que ele guardou; ela povoou-o como se fosse uma religião natural e viva, com os seus mitos, suas legendas, seus encantamentos; insuflou-lhe sua alma infantil, suas tristezas sem pesar, suas lágrimas sem amargor, seu silêncio sem concentração, suas alegrias sem causa, sua felicidade sem dia seguinte... É ela o suspiro indefinível que exalam ao luar as nossas noites do norte."

Fontes de pesquisa. Pedro Alexandre Sanches. Folha on- line / Trechos Livi Sovik “ Aqui ninguém e branco “

Milagres do Povo
Caetano Veloso


Quem é ateu e viu milagres como eu
Sabe que os deuses sem Deus
Não cessam de brotar, nem cansam de esperar
E o coração que é soberano e que é senhor
Não cabe na escravidão, não cabe no seu não
Não cabe em si de tanto sim
É pura dança e sexo e glória, e paira para além da história


Ojuobá ia lá e via
Ojuobahia
Xangô manda chamar Obatalá guia
Mamãe Oxum chora lagrimalegria
Pétalas de Iemanjá Iansã-Oiá ia
Ojuobá ia lá e via
Ojuobahia
Obá


É no xaréu que brilha a prata luz do céu
E o povo negro entendeu que o grande vencedor
Se ergue além da dor
Tudo chegou sobrevivente num navio
Quem descobriu o Brasil?
Foi o negro que viu a crueldade bem de frente
E ainda produziu milagres de fé no extremo ocidente


Ojuobá ia lá e via
Ojuobahia
Xangô manda chamar Obatalá guia
Mamãe Oxum chora lagrimalegria
Pétalas de Iemanjá Iansã-Oiá ia
Ojuobá ia lá e via
Ojuobahia
Obá


Ojuobá ia lá e via...


Quem é ateu...

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