" Você sabe o que é ter um amor, meu senhor... "

Bloco de rua que estreia no carnaval 2012 homenageia os 70 anos do cantor e compositor Paulinho da Viola
No verão de 2011, em pleno carnaval de rua em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, a música Foi um rio que passou em minha vidaapareceu no repertório e deixou o jornalista Vagner Fernandes emocionado. Além de ser fã inestimável do trabalho de Paulinho da Viola, percebeu que todos ao seu redor também curtiam a canção, que foi devidamente acompanhada por vozes estridentes e abraços fervorosos. Foi, então, que o jornalista teve a ideia de criar o bloco Timoneiros da Viola, estreante no carnaval 2012 do Rio de Janeiro, com desfile no dia 12 de fevereiro, em Oswaldo Cruz.


“No mesmo momento, parei para pensar por que grandes baluartes do samba não são tocados no carnaval brasileiro”, conta o jornalista e também presidente do bloco. A proposta dos Timoneiros da Viola, além de homenagear o cantor e compositor Paulinho da Viola, é trazer de volta ao carnaval carioca todo lirismo e poesia, muitas vezes  esquecido na festa popular. 


Na opinião de Fernandes, faltam blocos no carnaval que reverenciem estes grandes ícones, e muito do romantismo da festa foi cedendo espaço para uma comemoração mais industrializada. “Acho que não há uma explicação objetiva para este fato. O carnaval, hoje, dá espaço para músicos mais pops como Tim Maia e Jorge Benjor, com a cara da nova geração. O que não é uma coisa ruim. Mas nós viemos para inovar, estreitar a lacuna entre o passado e o presente do samba. Proporcionar lembranças aos que já conhecem Paulinho da Viola, e tornar conhecidas as canções deste mestre para os mais novos”. 

Para aumentar a expectativa dos foliões, nomes aplaudidos da música brasileira compõem o time que desfila com os Timoneiros da Viola. Além do próprio Paulinho da Viola, o cantor e compositor Pedro Miranda já confirmou presença. Pedro, fundador de um dos blocos mais conhecidos do Rio, o Cordão do Boitatá, relata sua experiência: “Acho legal essa diversidade de blocos. Falo isso porque participei da revitalização do carnaval de rua carioca com o Cordão do Boitatá, que, no começo, não tinha pretensão nenhuma de ser um bloco grande. O carnaval é isso: juntar os amigos e fazer uma brincadeira, uma festa”.  Para ele, a escolha do bairro da Zona Norte foi fundamental para dar mais charme ao desfile. "A pegada interessante dos Timoneiros é cantar o Paulinho – que eu adoro – e fazer samba onde ele sempre esteve presente, em Madureira”.

Assim como os Timoneiros, há outros blocos inspirados em artistas da música brasileira, caso do recente Toca Raul, para Raul Seixas; das Mulheres de Chico, para Chico Buarque, e do Exalta Rei, para Roberto Carlos. O repertório, em grande parte, é baseado nos artistas aos quais fazem homenagem, escolha diferente da do Timoneiros, que optou por uma seleção mais abrangente. “Tratei de contactar o próprio Paulinho da Viola para saber a opinião dele sobre o bloco. Da conversa, chegamos à conclusão que valia homenagear também outros baluartes como Donga, Candeia, Cartola e Nelson Cavaquinho”, explica o jornalista. 

Outro diferencial está no circuito que foge da aglomeração do Centro e da Zona Sul. Partindo da Praça Paulo da Portela, no dia 12 de fevereiro, em Oswaldo Cruz, eles seguem pelas ruas de Madureira animando os foliões da Zona Norte. “Pretendemos revitalizar o samba nas suas regiões de berço. Seja Oswaldo Cruz, com a Portela, ou Madureira, com a Império Serrano, o subúrbio sempre foi referência neste gênero musical”, declara Vagner.  




Colaboração de Renata Lima ( portal secretaria de cultura)

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